18 de outubro de 2011

Minhas lentes

Tão sutil era me fazer feliz, e você nunca foi capaz de perceber isso. Eu nunca quis que você fosse até a lua por mim, mas sempre pedi que você ficasse, porque a sua presença sempre foi o mais importante.
Lembro de como era estar ali, deitada ao seu lado, sem fazer nada, acariciando os seus braços, que me envolviam delicadamente. Lembro de você sorrindo para mim com os olhos quando eu mal podia piscar. E de brincar com a sua boca enquanto eu te beijava. Lembro de cada detalhe do seu corpo e lembro de quando contei todas as suas sardas enquanto te assistia dormir.
Eu nunca quis que você fosse incrível, porque o incrível para mim era mesmo o modo como você me fazia sentir com apenas um abraço. Nunca quis presentes, restaurantes, luxo. Nunca quis nada do que você imaginava. Mas eu sempre quis te fazer feliz. E eu falhei.
Foram poucos os momentos de felicidade que tivemos. Você sempre muito preocupado com os seus problemas, eu sempre tentando dar um jeito de te ajudar a resolvê-los ou de, pelo menos, segurar a sua mão.
Eu estava ali o tempo todo, do seu lado, nos seus dias ruins, que foram maioria. Eu era a pessoa que queria te colocar no colo e dizer que o mundo não é tão bagunçado e que há solução: o amor.
Esse mesmo amor que preferiu ir contra nós dois, que quis nos ver morrendo. Eu não esperei, porque ver o seu amor morrer seria duro demais. Eu morri primeiro, por você, por amor.

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